A Hora Certa de Mudar de Investimento

Agora sim! Nesse gráfico, com eixo y em escala logarítmica, podemos notar que o crescimento do índice IBOVESPA mantém uma inclinação praticamente constante ao longo dos anos, apesar de todas as crises e momentos de euforia da bolsa.
Nele podemos traçar uma linha de tendência, que será uma reta, e
analisar em que períodos o gráfico esteve acima ou abaixo do valor
esperado.

Observando cuidadosamente os picos e depressões do gráfico, podemos
notar o impacto da crise asiática no final de 1997, da crise russa em
meados de 1998, o pessimismo com a não aprovação da taxação dos
servidores inativos pelo congresso no final de 1998, que levou o governo
FHC a abandonar o sistema de bandas cambiais (voltaremos a falar nisso
mais adiante, quando discutirmos a variação da cotação do dólar ao longo
desses mesmos anos). O início do câmbio livre faz o real perder cerca de
40% do seu valor frente ao dólar em apenas 2 meses, aumentando muito o
risco país, resultando numa das mais intensas crises vividas no plano
Real. Nesse período conturbado, enquanto o Brasil ainda se recuperava,
vieram o estouro da bolha especulativa das empresas de tecnologia em
abril de 2000 e os ataques terroristas contra os Estados Unidos em
setembro de 2001.
Depois de alternâncias entre otimismo e pessimismo no mercado, voltou a
crescer o risco país com o chamado “efeito Lula”, devido à já previsível
eleição do novo presidente. Essa crise, bem como a falsificação da
contabilidade da empresa americana Enron e a fraude do grupo de
telecomunicações Wordcom desestabilizaram novamente a bolsa de valores.
Segue um período de constantes altas na bolsa de valores, interrompidas
em alguns momentos pelos atentados em Madri em 2004, o terrível tsunami
em dezembro do mesmo ano, a crise da China em 2007, dentre outros.
Em 2008, estamos vivendo novamente uma forte queda das bolsas, que em
maio de 2008 registravam uma enorme alta acumulada. O IBOVESPA, que
chegou a ultrapassar os 73.000 pontos, no final de outubro está cotado
em menos de 30.000, uma queda próxima a 60% em pouco mais de 5 meses.
A boa notícia é que, como vimos, essas crises passam. Podem durar meses
ou até alguns anos, mas o mercado se recupera e volta a crescer. Quando
isso acontece, quem comprou ações a um preço baixo acaba tendo enormes
lucros.
Mas existe algum investimento capaz de dar lucro ao investidor quando o
mercado de ações está caindo? É o que veremos a seguir.
O DÓLAR
Analisaremos o comportamento do dólar frente ao real, pois nossos
investimentos podem ser beneficiados se percebermos um comportamento
bastante comum: quando a bolsa cai, o dólar sobe e vice-versa. Nem
sempre isso ocorre a curto prazo, pois há outras variáveis envolvidas
como as intervenções do governo, que compra e vende dólares no mercado
para amenizar as variações, mas em geral a regra é verificada.
Analisemos o gráfico a seguir, que mostra a variação do valor da moeda americana nos últimos 14 anos.

Fonte: YAHOO FINANÇAS. Disponível em: http://br.finance.yahoo.com/. Acesso em: 28/10/2008.
Aqui também, como fizemos com o índice IBOVESPA, para que tenhamos dados
confiáveis na tentativa de prever o comportamento futuro do dólar,
devemos procurar regiões discrepantes.
Claramente, algo aconteceu no início de 1999 que fez com que o dólar
subisse muito rapidamente, passando de um comportamento regular, quase
linear, para um padrão mais parecido com o que observamos nos dados do
IBOVESPA, com picos e depressões.
Mas o que ocasionou essa mudança repentina? No início do Plano Real, em
01/07/1994, o valor de um Real foi convencionado como sendo exatamente
igual a um Dólar. A partir daí, houve uma livre flutuação do câmbio, até
que em 1995 o governo decidiu controlar o seu valor pelo sistema de
bandas cambiais, que estipulava limites máximos e mínimos para o dólar.
As bandas cambiais foram sendo ajustadas ao longo do tempo, promovendo
um aumento gradual do dólar até janeiro de 1999, quando esse regime
artificial de controle do valor da moeda fracassou. A partir daí, depois
de uma forte desvalorização do real frente ao dólar, o cambio se ajustou
e passou a refletir a realizade do mercado.
Podemos, então, considerar que os dados “confiáveis” sobre a cotação do
dólar em relação ao real estão disponíveis desde o início de fevereiro
de 1999, depois que cessou a turbulência causada pela eliminação do
sistema de bandas cambiais.
Vejamos o gráfico da cotação do dólar nesse período.

Repare que, ao contrário do comportamento do índice IBOVESPA, o valor do
dólar não parece ter uma tendência exponencial. Realmente, nesse sentido,
o câmbio não é um “investimento” como as ações, mas um indicativo da
valorização de uma moeda e relação a outra.
É verdade que existem fundos de investimentos baseados no valor do dólar,
mas esses fundos são antes uma proteção para quem tem dívidas no
exterior do que uma aplicação com finalidade de promover lucros.
Logo, se dois países têm crescimento do PIB aproximadamente igual e
políticas cambiais semelhantes, pode-se esperar que o valor de uma moeda
frente à outra não sofra grandes variações, isso é, ao longo do tempo,
apesar das inevitáveis flutuações momentâneas, haverá um ponto de
equilíbrio ao redor do qual as cotações permanecerão praticamente
estáveis.
Em outras palavras, o crescimento esperado do valor do dólar é linear, e
não exponencial.
Vejamos uma linha de tendência traçada no gráfico anterior.
